Anonymous asked: VOCÊ É BRASILEIRO! *momento de choque
hahaha sim, eu sou. porque a surpresa?
Anonymous asked: VOCÊ É BRASILEIRO! *momento de choque
hahaha sim, eu sou. porque a surpresa?
Escrevi há pouco tempo sobre meu descrédito na classe média “engajada” nos protestos dos últimos dias. Minha opinião sobre ela persiste, porém, dadas as últimas evoluções do quadro (inter!)nacional, meu ceticismo lentamente se desfaz. Não creio mais que existem tantas pessoas alheias/alienadas/perdidas/qualquer termo que prefira envolvidas no protesto. Acredito que ainda estejam lá em proporções aviltantes, porém….
Fazendo volume e colaborando com a causa (mais do que legítima!), querendo ou não, entendendo ou não. E isso não é qualquer coisa.
Não farei nenhuma apologia, não vou pedir a ninguém que compareça, que faça isso,que faça aquilo, etc.; digo apenas que eu, o último homem que jamais faria isso, pretendo comparecer aos protestos de minha cidade hoje.
Há um aroma diferente no ar.
*Minha postagem anterior pode ser lida aqui: (http://creepyndex.tumblr.com/post/53033772019/ninguem-pediu-minha-opiniao)
“The Girl is Mime”, by Tim Bunn
(via monkeypants)
(via pablos-cruise)
video games i’ve played this year ♕ shadow of the colossus
(via mysteriousmagnum)
… mas parece que isso já não é mais um discriminante na atual conjuntura.
Um homem muito sábio me disse uma vez que a violência começa onde o diálogo termina. Sem realmente saber a totalidade dos fatos - ou sequer uma porção aviltante daquilo que se faz disponível nas multi-mídias - posso dizer apenas que ouço vozes mas não vejo diálogo.
De um lado, há uma idéia digníssima. De outro, uma minoria dentre as minorias que dela se faz consciente. Nove entre dez manifestantes estão, com o perdão do baixo calão (por que acho que o termo, vulgar como seja, é de alto valor representativo), estão mais perdidos que filho-da-puta em Dia dos Pais.
Na terceira margem do rio, assomam-se as cabeças de tantos mil que não veêm no outro um igual - por que não consegue este, por vezes (vezes tantas!), fazer o inverso.
Política nunca foi o meu forte, minha predileção ou minha linha de frente. Filosofias à parte, o bem que tento fazer (freqüentemente com mais vontade do que efeito, infelizmente [ou deveria dizer “humanamente”?]) reside em outras instâncias, mais íntimas, nas quais acredito incondicionalmente. Mas creio que no quadro presente, a timidez daquela voz a quem atribuo meu juízo político é vencida.
Há na dita “Esquerda Brasileira” (uma classe média supostamente intelectualizada e manifestamente festiva) um gozo em sofrer opressão - se o Estado emprega técnicas violentas de coerção, minha “revolta” se justifica. O termo foi empregado intencionalmente em lugar de “manifestação” pois existe uma lógica contida por trás dele: contanto que a manifestação da revolta seja tolhida, esta adquire um caráter de legitimidade, bem como a sua não-continuidade e todo o corpo de fenômenos políticos e sociais que orbitam ao seu redor.
Há, por parte do Estado, a resolução de demonstrar sua pujança e sua função paterna: calados os baderneiros e saciados os trabalhadores homens de bem, cada um junta suas trouxas e volta para casa. Há uma solução de compromisso aí que serve ao mesmo propósito. Se a Esquerda manifestou-se e foi tolhida com violência, ela se cala e justifica sua retirada pela truculência do Estado. O Estado encena seu teatro de poder e justifica-se pela festividade, desordem e incongruência da esquerda.
Este espetáculo se repete de forma recorrente para a a manutenção do status quo: as classes C, D, E e alfabeto abaixo DEPENDEM do meu engajamento para saírem da sua situação de sub-humanidade, do ponto de vista da Esquerda. Para o Estado, reafirma-se que a segurança e a funcionalidade da urbe são asseguradas pelo seu poder, que tão abnegadamente também lhes supre (às supra-citadas classes C, D, etc.) de bolsas, cotas, auxílios e medidas que tais para a promoção de uma ilusão de poder (manifesto principalmente no poder de consumo). Resalvo aqui, porém, que admiro e aprecio muito a promoção da dignidade e da melhoria das condições materiais de inúmeras famílias brasileiras - a minha crítica é à agenda maliciosa que jaz por trás dela.
E assim caminha a brasilidade. Cada qual no seu canto, em cada canto uma dor, tudo retoma o lugar - depois que a banda passar, cantando coisas de amor.
(via blueruins)